A PUBLICIDADE COMERCIAL NA CHAMINÉ DA USINA DO GASÔMETRO

Data: 29/12/2018
Fonte: Rafael Passos - Presidente do IAB RS

O retorno da tradicional festa de ano novo na Orla do Guaíba é mesmo algo a festejar. O estímulo ao uso do espaço público é sempre algo a ser celebrado e apoiado. A Prefeitura buscou financiamento privado através de um edital bem elaborado para venda de espaços publicitários, com contrapartidas adequadas ao investimento empresarial.

Fomos, contudo, surpreendidos por uma enorme peça publicitária instalada na chaminé da Usina do Gasômetro, bem tombado em níveis municipal e estadual. Um dos principais, se não o maior símbolo de Porto Alegre deve ser tratado com o respeito que lhe cabe, que nos cabe!

A chaminé já foi utilizada para campanhas de interesse público de diversas ordens, o que difere do uso comercial. Tal uso do monumento pode infringir a lei municipal. Foi consultado o órgão competente em nível estadual (IPHAE)? Além disso, o espaço publicitário cedido não constava do edital, portanto pode ter ferido a isonomia da licitação. Caso o espaço tivesse sido oferecido no Edital quantas outras empresas poderiam ter demonstrado interesse ante privilegiado espaço?

A peça foge também às regras de veiculação previstas no Edital, ao não fazer qualquer alusão à Festa, o que a torna um mero e gigantesco outdoor que circulará pelas redes sociais dos milhares de frequentadores da Festa de Ano Novo. Quanto custaria este espaço? Está compatível com o investimento feito pela empresa?

Empresa, aliás, que parece tratar a Usina como trata as empenas cegas de edifícios comuns que sobressaem na paisagem de nossa cidade em que tem afixado painéis publicitários. Não são a mesma coisa! Talvez a sua exigência (ao que tudo indica) de ter sua marca no monumento venha a ter efeito contrário ao que esperava, dada a grande rejeição que parte da população demonstrou tão prontamente. Há tempo de voltar atrás.

É preciso que alguns empresários aprendam a respeitar as regras do jogo, dadas através de instrumentos como este Edital. Ainda que se trate de propaganda por tempo determinado, roga-se para que isso não se repita. Converter monumentos em espaços publicitários jamais pode ser visto como alternativa viável.